sexta-feira, 22 de julho de 2011

AVANÇO X LIBERDADE


O sistema atual em que vivemos pode ser definido como a coexistência entre a enorme capacidade de criar, transformar e dominar a natureza, suscitando desejos, ambições e esperanças. Não se trata de perversidade, mas sim de um modo de funcionamento, que por sua vez não deixa de ser...perverso.

Esse sistema revela sua natureza mais profunda, que, como já disse Marx: não pode existir sem revolucionar constantemente os meios de produção e, portanto, as relações de produção e com elas o conjunto da sociedade. Portanto, nos vemos permanentemente em um estado de revolução nas condições de produção. Sempre nos é apresentada uma inovação, uma novidade industrial e ou tecnológica.

Essas novidades industriais resultaram em uma espantosa revolução tecnológica, umas das carácteristas da globalização. Esse salto tecnológico que presenciamos a cada ano tem-nos feito acreditar que estamos nos aproximando de um momento em que o homem vai ter que trabalhar menos para poder sobreviver, já que a eletrõnica, a informática e a automação dos processos industriais estão nos liberando das limitações de espaço e de tempo.

De espaço porque um sujeito pode supostamente trabalhar em casa ou em qualquer outro lugar, desde que tenha acesso a meios de telecomunicação e internet. E de tempo pois a tecnologia transforma o trabalho mais ágil, atividades que demoravam horas para serem realizadas hoje estão concluídas em questão de minutos.

Mas a realidade é que, ninguém tem trabalhado menos, e a tecnologia tem de fato ajudado os homens a realizarem suas tarefas, mas não reduziram o trabalho, e muito menos nos deixaram mais autônomos, ao contrário, tem nos prendido cada vez mais ao trabalho, trabalho esse que sempre fez parte do sistema e o avanço tecnológico parte de sua agenda.

A Organização Internacional do Trabalho revelou um estudo mostrando o que ao redor do globo terrestre houve uma intensificação no ritmo do trabalho, e crescimento do desemprego, portanto, os avanços nos meios de produção não tem nos trazido liberdade, e sim um acirramento da concorrência entre as grandes empresas internacionais e rápidas mudanças na geoeconomia mundial.

As novas formas financeiras contribuíram para aumentar o poder das grandes corporações. As fusões e aquisições suscitaram um maior controle dos mercados e promoveram campanhas contra os direitos sociais e econômicos, considerados um obstáculo á operação das leis de concorrência. A abertura dos mercados e o acirramento da concorrência coexistem com a tendência ao monopólio e assim restringem a soberania estatal e impedem que os cidadãos, tenham capacidade de decidir sobre a própria vida, relativando cada vez mais a liberdade de cada ser humano e das sociedades de massa em geral, que tem sido cada vez mais controladas e manipuladas.